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Em busca de comida, bando de quatis 'assalta' sacos de lixo amontoados no meio da rua no Jardim São Gabriel, em Presidente Prudente

Biólogo alerta que animais podem transmitir doenças como a raiva aos seres humanos.

Por: Júlia Guimarães e Lucas Dantas, ifronteira.com
15/07/2026 às 14:00
Bando de quatis foi visto no Jardim São Gabriel, em Presidente Prudente (SP) |
Bando de quatis foi visto no Jardim São Gabriel, em Presidente Prudente (SP) | Foto: José Antonio Avelino

Um morador de Presidente Prudente (SP) deparou-se com uma cena inusitada ao sair de casa para mais um dia de trabalho com entregas de mercadorias. Ele flagrou um grupo de quatis (Nasua nasua) comendo lixo na Rua Artur Jorge Guazzi, no Jardim São Gabriel, próximo à Cohab.

Conforme José Antonio Avelino, o trabalhador que fez as imagens, o que lhe chamou a atenção foi quando os animais levaram lixo para comer dentro de uma casa.

“Mas eles são muito engraçados e lindos”, ponderou.

Avelino gravou nesta terça-feira (14) um vídeo que mostra o momento em que cerca de 15 quatis descem de árvores e vão até uma pilha de sacos de lixo amontoados no meio da rua em busca de alimentos entre os resíduos. As imagens revelam também o entra e sai dos animais de uma casa.

 

 

Conforme o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), a espécie possui uma ampla distribuição geográfica na América do Sul, indo da Colômbia e da Venezuela ao Uruguai e ao norte da Argentina, e ocorrendo em ambas as vertentes dos Andes, no Equador.

No Brasil, os quatis estão distribuídos nos seguintes estados:

 

  • Bahia;
  • Ceará;
  • Goiás;
  • Maranhão;
  • Minas Gerais;
  • Paraná;
  • Rio Grande do Sul;
  • Rio de Janeiro;
  • Rondônia;
  • Santa Catarina; e
  • São Paulo.

 

Atualmente, a espécie vive nos biomas da Amazônia, da Caatinga, do Cerrado, da Mata Atlântica, do Pampa e do Pantanal e na área do Sistema Costeiro-Marinho, que é um local de transição entre os ecossistemas continentais e os oceanos.

Conforme o ICMBio, os quatis são animais diurnos com hábitos gregários e que vivem em bandos com média de seis indivíduos, porém, há registros no Pantanal de grupos com mais de 30 integrantes da espécie.

Estes grupos são majoritariamente compostos por fêmeas e jovens, enquanto os machos, por sua vez, são frequentemente solitários.

 

Bando de quatis foi visto no Jardim São Gabriel, em Presidente Prudente (SP) | Foto: José Antonio Avelino

 

Riscos para a saúde humana

 

De acordo com o biólogo Julio Cesar Schadek Barbosa, não é comum ver quatis no ambiente urbano, a não ser que exista uma mata próxima ao local. "Não é uma coisa comum igual é um gambá, uma pomba, eles não são tão adaptados ao ambiente urbano", pontuou.

 

"Eles vão basicamente em busca de alimento, em busca de comida, eles não conseguem morar em um ambiente muito urbano. Eles vão atrás de lixo, tanto que eles reviram lixo, reviram todas essas coisas, vão basicamente atrás de alimento e sempre andando em bando, porque eles são espécie muito característica de andar em grupos grandes", explicou Barbosa ao ifronteira.com.

 

Segundo ele, o quati tem um bico bem longo e a cauda listrada, é onívoro, o que significa que come de tudo. "Normalmente na natureza ele come insetos e até pequenos animais, frutas, ele tem mais essa base de alimentação. Só que no caso, como alguns moram perto do meio urbano, eles podem ir atrás do lixo para encontrar esses alimentos", complementou.

 

"Para o ser humano, de imediato, ele não ataca, ele só se defende, ele não é um predador. O que acontece é que a mordida dele e o arranhado são muito fortes e podem causar feridas bem profundas. Isso pode gerar alguns riscos, como infecção. Além disso, o quati pode transmitir a raiva, que é uma doença super perigosa para seres humanos, se não for diagnosticada cedo. Transmitem raiva, podem ter parasitas, como carrapatos. E, dependendo do carrapato, pode estar contaminado com o agente etiológico da febre maculosa. Então, são esses tipos de doenças. Eles podem ser reservatórios de doenças que são transmitidas por mosquitos. Então, esses tipos de doenças podem dar problema", acrescentou o biólogo ao ifronteira.com.

 

Inicialmente, os quatis podem parecer bonitinhos e engraçados, mas são animais de grupo e bem territoriais. 

 

"Então, se alguém for chegar perto, eles podem ficar agressivos e não é legal dar alimento para eles, justamente pra não ter esse contato que pode ser que transmita algumas doenças. No geral, eles não são perigosos. Se você não mexer com eles, eles vão ficar numa boa, vão passar por você numa boa. Mas sempre tomar cuidado por causa de transmitir algumas doenças, principalmente a raiva", concluiu Barbosa ao ifronteira.com.

 

Bando de quatis foi visto no Jardim São Gabriel, em Presidente Prudente (SP) | Foto: José Antonio Avelino